"Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir..."
Sylvia Plath - The Bell Jar
Na cama os sorrisos não são os mesmos. Sozinho a tristeza toca a campainha. Estou tão deitado. Tão deitado.
Abro. Qualquer som agora me incomoda. Ofereço café, ofereço café. Faço o café.
- Abre a mão! Despejo o café do bule. Bebemos silenciosos. "Sem barulho por hoje" a visita olha e retruca. Não olho. Não bebo meu café. Abro as mãos e deixo o café sobre as coxas. Uma eternidade morta desfila nos portões ao meu lado. Que miséria. Os traços, os baldes, as casas e suas roupas sujas. Tudo é desterro. Ameaço ascender um cigarro, não tem cigarro. A criação nunca será revelada. A lágrima não desce o seu percurso mas a sala está inundada. É preciso fazer mais café e evitar qualquer forma de comunicação. Talvez comprar um jornal na banca. Visitas gostam de entretenimento. Não tenho TV, não tenho filmes, nem sei quem é a celebridade que brilha feito faísca no topo do vulcão quando olho pela janela.
05.08.2015
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