sexta-feira, 14 de agosto de 2015

não falo não grito espero minha vez

um assustado modo de caminhar. Não é sedado nem rígido. É organismo brigando com organismo. Guerra sobre meus pés. Deitar é preciso, esperar é ____________ por diferença sou acudido numa dança - um pra lá, vocês pra cá. Chá de clorofila com os rasgos de hoje cedo. Esperar é da natureza. Quantas palavras saem da minha boca? 
DESCER UM ABISMO
Calmamente o corpo volta para o lugar. Joguei a terapia para o ar. A cor nunca é a mesma. É de se cometer suicídio! Leve-me para um ar mais denso. A luz agora bate aos olhos e todos da sala de exposições fingem um compromisso, o fotógrafo chega tarde para construir seus monumentos e esculturas da eternidade. Resta-lhe entre os dedos uma única luminosidade, que ele solta devido a coceiras. A luz percorre as escadarias, o amarelo rasga da nuca ao cóccix. Todos sangram para aquele da foto.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

poema ao fim de tarde

as escolhas são assustadoras
porque esse poema e não aquele?
Porque aqui e não aqui?
Quem escolheu antologia não sabe o que guarda uma obra ao virar uma página

pense no poema
pense no poema folheado
não use o verso

05.08.2015

a primeira vez que vi um cadáver

"Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir..."
Sylvia Plath - The Bell Jar 

Subir a uma certa altura e não despencar. Este é meu erro, enrolar os pés na ferida das grades e não alisar a liberdade. Acelero o coração segurando os dentes para não cair.  Por quanto tempo chorei de olhos fechados?

Na cama os sorrisos não são os mesmos. Sozinho a tristeza toca a campainha. Estou tão deitado. Tão deitado.


Abro. Qualquer som agora me incomoda. Ofereço café, ofereço café. Faço o café.
- Abre a mão! Despejo o café do bule. Bebemos silenciosos. "Sem barulho por hoje" a visita olha e retruca. Não olho. Não bebo meu café. Abro as mãos e deixo o café sobre as coxas. Uma eternidade morta desfila nos portões ao meu lado. Que miséria. Os traços, os baldes, as casas e suas roupas sujas. Tudo é desterro. Ameaço ascender um cigarro, não tem cigarro. A criação nunca será revelada. A lágrima não desce o seu percurso mas a sala está inundada. É preciso fazer mais café e evitar qualquer forma de comunicação. Talvez comprar um jornal na banca. Visitas gostam de entretenimento. Não tenho TV, não tenho filmes, nem sei quem é a celebridade que brilha feito faísca no topo do vulcão quando olho pela janela.


05.08.2015